Impugnação de Penhora: O Equilíbrio entre Justiça e Humanidade na Advocacia
- Fátima Cordeiro
- 30 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Hoje vamos falar sobre um tema que pode parecer técnico, mas que carrega muita humanidade em seu desenvolvimento: a impugnação de penhora. Vou compartilhar um caso recente em que atuei, que envolve um bem muito importante para o meu cliente — sua motocicleta. Embora não seja, tecnicamente, uma ferramenta de trabalho, sua importância para a rotina e o sustento dele era inegável. Esse caso traz à tona a necessidade de equilíbrio entre a aplicação da lei e a sensibilidade na vida real.

A advocacia vai muito além da técnica e do conhecimento jurídico. Ela nos desafia a equilibrar a frieza das leis com a complexidade das vidas que passam por nossas mãos. Cada processo carrega histórias, sonhos e dificuldades, e a função do advogado é navegar entre essas realidades com sensibilidade. Um exemplo claro disso é quando tratamos de uma impugnação de penhora, especialmente de bens que, embora não sejam "de trabalho" por definição, são essenciais para o sustento de uma pessoa.
Recentemente, atuei em um caso que me fez refletir sobre como a advocacia exige, mais do que argumentos legais, uma profunda compreensão da vida de nossos clientes. Meu cliente estava enfrentando a penhora de sua motocicleta, um bem que não era sua ferramenta direta de trabalho, mas que era essencial para ele chegar ao trabalho, garantir seu sustento e sua independência. A moto, nesse caso, representava muito mais do que um simples veículo – ela era parte da manutenção de sua dignidade.
A Impugnação: Onde a Lei Encontra a Realidade
A legislação brasileira protege certos bens de serem penhorados, especialmente aqueles que são considerados essenciais para o trabalho. No entanto, o que é realmente “essencial” nem sempre é tão claro. No caso da motocicleta do meu cliente, ela não era a ferramenta de trabalho em si, mas sem ela ele não teria como acessar seu local de emprego. Meu desafio era mostrar que, sem esse bem, sua rotina e, consequentemente, seu sustento estariam em risco.
Aqui, o trabalho do advogado é mais do que seguir a letra da lei – é conectar as normas à vida real do cliente. Precisamos convencer o juiz de que, apesar de a motocicleta não ser tecnicamente uma ferramenta de trabalho, ela era fundamental para garantir a subsistência e a dignidade do meu cliente. Isso nos lembra que, muitas vezes, os casos que chegam até nós não são apenas sobre bens e contratos, mas sobre pessoas e suas lutas diárias.

A Humanização da Advocacia
No decorrer do processo, percebi que a questão não era apenas jurídica, mas profundamente emocional. Meu cliente estava preocupado, ansioso e com medo de perder não apenas o bem em si, mas sua estabilidade e sua liberdade de continuar trabalhando. Esse tipo de situação exige de nós, advogados, mais do que conhecimento técnico. Exige empatia.
A advocacia tem uma dupla natureza: é uma ciência jurídica e uma arte de lidar com pessoas. Como advogados, aplicamos as leis e montamos estratégias, mas nunca devemos perder de vista as pessoas por trás dos processos. A conexão humana é o que nos permite enxergar além dos papéis e, muitas vezes, é o que faz a diferença entre ganhar ou perder uma causa.

Buscando o Equilíbrio
Este caso me fez refletir sobre a importância do equilíbrio na advocacia. A lei, por si só, pode ser inflexível, mas o nosso papel é mostrar como ela pode ser aplicada de maneira justa, considerando as nuances da vida. Saber dosar a frieza da legislação com a sensibilidade diante das histórias que nos são confiadas é, para mim, o maior desafio e também a maior recompensa da profissão.
No caso da motocicleta, o caminho foi longo e exigiu uma defesa cuidadosa. Mostramos que aquele bem, embora não não fosse uma ferramenta tradicional de trabalho, era imprescindível para que meu cliente pudesse manter sua rotina, seu sustento e sua dignidade. E essa é a essência da advocacia: garantir que a justiça seja feita sem perder de vista a humanidade que está por trás de cada processo.
Para Refletir
A prática da advocacia nos ensina que, muitas vezes, o verdadeiro desafio não é apenas entender as leis, mas compreender as histórias e os contextos que envolvem cada caso. Somos advogados, mas também somos conselheiros, ouvintes e, acima de tudo, defensores das vidas que representamos. Cada processo é único, porque cada cliente traz consigo uma realidade distinta.
E você, já passou por uma situação em que precisou equilibrar o lado técnico com o lado humano? Como lidou com isso? Se você já teve uma experiência semelhante ou tem alguma dúvida sobre a impugnação de penhora, compartilhe nos comentários. Vamos continuar essa conversa e trocar ideias. Porque, no final das contas, a advocacia é feita de histórias, e cada história merece ser ouvida.
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